Profilaxia de Hemorragia Digestiva por Varizes

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A hipertensão portal, de qualquer etiologia, é responsável pelo surgimento de varizes esôfago-gástricas. A simples presença de varizes não provoca qualquer sintoma. Quando se rompem, entretanto, o sangramento pode ser volumoso, provocando alterações hemodinâmicas graves. Como em qualquer hemorragia digestiva alta (HDA), o sangramento por varizes esôfago-gástricas manifesta-se por hematêmese e/ou melena, sendo rara a enterorragia. Além disso, o sangramento inaparente por gastropatia congestiva, associada à hipertensão portal, pode levar a anemia severa e/ou persistente.

A hemorragia por varizes está associada a altas taxas de morbidade e mortalidade sendo que, após o diagnóstico endoscópico de presença de vari­zes, o risco de sangramento é de 30-35%, nos dois primeiros anos de segui­mento. Como já no primeiro episódio hemorrágico os índices de mortalidade são elevados, seria interessante conhecer os fatores prognósticos de sangramento. Diferentes classificações endoscópicas foram propostas, sen­do aceito que o maior calibre das varizes, assim como a presença de estrias avermelhadas sobre as mesmas seriam os mais fidedignos em indicar maio­res probabilidades de sangramento. Outros fatores clínicos e particularmente a pontuação do paciente, conforme Child-Pugh, em classe C, também consti­tui fator de risco para HDA com maiores índices de mortalidade.

Em mais de 50% dos pacientes que apresentam hemorragia por vari­zes o sangramento pode cessar espontaneamente, porém sua continuidade acarreta altos índices de mortalidade, chegando a 70%.

O risco de recidiva da hemorragia é maior nos primeiros dias ou sema­nas após o episódio (70%). Estes índices vão diminuindo ao longo do tempo, voltando ao índice inicial após 6 meses. Em cada recidiva hemorrágica ocorre piora da função hepática, com maiores probabilidades de evolução para o óbito.

Além da classificação de Child-Pugh e presença de ascite como da­dos clínicos de risco tardio de re-sangramento outros fatores como a continui­dade da ingestão alcoólica, a deterioração da função hepática e hepatocarcinoma são também apontados como fatores contribuintes.

 

Fonte: Manual de Diagnóstico e Tratamento das Doenças Hepáticas – no paciente adulto e pediátrico, síntese do texto da Dra. Edna Strauss e Dra. Maria de Fátima G. Sá Ribeiro