Doença Cística Hepática

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Didaticamente, podemos dividir as lesões císticas que acometem o fígado em doença policística do adulto, doença poliscística da infância e cistos hepáticos simples.

A doença hepática policística do adulto é transmitida de maneira autossômica dominante, sendo usualmente identificada na idade adulta. Me­tade desses pacientes podem apresentar doença policística renal associa­da, com consequente comprometimento da função renal. Observa-se ainda, em alguns pacientes, a presença de cistos no pâncreas, ovários e pulmões. Do ponto de vista clínico, muitas vezes existem queixas de dores abdomi­nais e desconforto no andar superior do abdomen. Como regra, a função hepática desses pacientes permanece normal, sendo o prognóstico determi­nado pela extensão e gravidade, do comprometimento renal.

Doença policistica da infância é herdada de maneira autossômica recessiva. Manifesta-se usualmente na infância, podendo estar presente ao nascimento. Da mesma forma que na doença policística do adulto, o prognós­tico destes pacientes é determinado pelo grau de deterioração da função re­nal. Os exames de função hepática geralmente não estão alterados. Os paci­entes com envolvimento renal leve podem atingir uma idade mais avançada. Nos casos de sobrevida mais prolongada, os pacientes podem desenvolver fibrose hepática, hipertensão portal, varizes esofagogástricas e sangramento.

 

Os cistos hepáticos simples têm sido cada vez mais identificados, na medida em que os exames de imagem do fígado vêm sendo cada vez mais utiliza­dos. São encontrados em até 20% dos pacientes submetidos à laparotomia. Oca­sionalmente podem apresentar septos. A maioria dos pacientes é assintomática e apresenta provas de função hepática normais. Os sintomas, quando presentes, consistem de dores abdominais, desconforto e sensação de peso, localizadas especialmente em abdomen superior. Até 9% dos pacientes podem apresentar icterícia devido à compressão das vias biliares pelos cistos. Embora os vários métodos de diagnóstico possam ser usados para a caracterização dessas lesões, a ultra-sonografia apresenta superioridade no seu diagnóstico.

 

Fonte: Manual de Diagnóstico e Tratamento das Doenças Hepáticas – no paciente adulto e pediátrico, síntese do texto do Dr. Giovanni G. Cerri, Dra. Ana Suely C. Nascimento-Zan e Dr. Márcio M. Machado