Colestase é uma síndrome clínica causada pela diminuição do fluxo da bile, desde o hepatócito até o duodeno. Pode ter origem em distúrbios intra ou extra-hepáticos. A síndrome caracteriza-se por icterícia e prurido, associados a alterações bioquímicas séricas, aumento de bilirrubinas, fosfatase alcalina, gamaglutamiltranspeptidase, 5-nucleotidase e ácidos biliares. Nas colestases de longa duração podem ocorrer distúrbios ósseos metabólicos, como osteoporose e, menos freqüentemente, osteomalácia.
Prurido, como a icterícia, e manifestação comum mas não obrigatória da colestase e o sintoma mais importante em muitos portadores dessa síndrome, em suas formas aguda ou crônica. Ele pode ser localizado ou generalizado, continuo ou intermitente, e geralmente se inicia pelas palmas e plantas, mas nunca ocorre em lesões cutâneas típicas de colestase como os xantomas. Pode ser leve ou tão intenso que induza a suicídio e constitua indicação para transplante hepático. Não se alivia facilmente pelo ato de coçar, obrigando o paciente a utilizar-se de objetos para produzir escoriações e substituir a sensação pruriginosa por dor. Exacerba-se à noite e no inverno, no fluxo menstrual e gravidez, e por estresse emocional e uso de estrógenos. Costuma ser menos intenso nos homens, e desaparece com a instalação da falência hepática.
Doença óssea metabólica é uma complicação bem conhecida das colestases crônicas que pode ser grave e incapacitante. A osteoporose, mais comum que a osteomalácia, compromete predominantemente as vértebras e o quadril, é freqüentemente assintomática e pode manifestar-se por dor óssea difusa, colapso vertebral e fraturas múltiplas. Eventualmente é a primeira e exclusiva manifestação da colestase. Osteomalácia, muito menos freqüente e com pouca repercussão clínica, deve-se à má-absorção de cálcio e de vitamina D, e é facilmente corrigida por reposição oral ou parenteral.
Fonte: Manual de Diagnóstico e Tratamento das Doenças Hepáticas – no paciente adulto e pediátrico, síntese do texto do Dr. Waldomiro Dantas e Dra. Esther B. Dantas-Corrêa
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