Hemangioma

Hemangioma


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Hemangioma é o tumor benigno mais comum do fígado, ocorrendo entre 7%a 20% dos indivíduos adultos São frequentemente solitários, poden­do ser múltiplos e ocasionalmente ter localizações extra hepáticas. Em geral, são assintomáticos (85%), e diagnosticados acidentalmente em exames de imagem. Têm dimensões pequenas, menores que 5 cm, podendo atingir gran­des proporções, passando a denominar-se hemangiomas gigantes quando ultrapassam 6 a 10 cm de diametro. Localizam-se mais comumente no lobo hepático direito, próximos à superfície hepática. Em geral, são assintomáticos, ocasionalmente relaciona-se com sintomas abdominais inespecíficos, como dores epigástricas e no hipocôndrio direito, ou sensação de peso no abdomen superior. Em crianças, os hemangiomas cavernosos podem se manifestar como massas abdominais e determinar insuficiência cardíaca de alto débito. Mais raramente podem se associar a icterícia obstrutiva, obstrução gástrica, torsão de lesões pediculadas e ruptura espontânea. Existem também, alguns relatos de crescimento ocasional dessas lesões durante a gravidez. Os hemangiomas cavernosos podem ainda, desencadear trombocitopenia e hipofibrinogenemia por provável consumo dos fatores de coagulação (Síndrome de Kasabach-Merrit). Essa síndrome pode ser encontrada em crianças, sendo rara em adultos


A avaliação laboratorial à semelhança das outras lesões benignas apre­sentam como regra, função hepática normal. O diagnóstico por imagem des­ses tumores assume fundamental importância, visto que o estudo histológico do material obtido por agulha é um procedimento de risco e nem sempre é conclusivo. Estes exames mostram: USG – imagem inespecífica e variável.


O hemangioma típico apresenta lesão hiperecogênica, bem delimitada, com fra­co realce acústico e sem halo hipoecóico. Com frequência são achados de forma incidental. Color doppler mostra uma lesão pobremente vascularizada, com vaso periférico. TC – no exame sem contraste geralmente apresenta mas­sa hipodensa, bem definida, com bordos lobulados. Calcificações dentro da área de trombose ou fibrose, são vistas em 10%das lesões.Na fase precoce1 após a injeção de contraste os vasos periféricos que alimentam o hemangioma podem ser demonstrados. Na fase tardia o contraste se difunde, preenchendo toda a lesão, com padrão centrípeto, ficando o tumor quase hipodenso. Gran­des tumores com cicatriz fibrótica mostram áreas não realçadas. RM – apre­sentam hiposinal em T1 e hipersinal em T2. Após a administração de gadolíneo, observa-se o mesmo padrão da TC. Cintilografia utilizando-se hemácias marcadas com Tc99m mostra resultado semelhante ao encontrado na RM, exceto nas lesões menores que 1,5cm, onde apresenta limitações na sua caracteriza­ção. No estudo angiográfico, a artéria hepática apresenta deposição de subs­tância de contraste, que permanece retida no tumor mesmo depois do desa­parecimento da fase parenquimatosa, dando um aspecto característico à le­são. A disposição de contraste se dá preferencialmente na periferia, com for­mação de lagos venosos.


O tratamento desses tumores depende do seu tamanho, localização, sintomatologia e risco de remoção cirúrgica. Em geral, se o diagnóstico é rea­lizado com segurança,os pacientes são mantidos em observação periódica, com seguimento orientado por exames de imagem.Nos pacientes com sintomatologia crônica e debilitante e lesões volumosas, pode haver indicação cirúrgica. Nestes casos, de acordo com sua localização e dimensões a maioria pode ser ressecada com borda de parênquima normal, ou pela simples excisão, nas lesões pediculadas. Hepatectomias clássicas podem também ser indicadas, em casos de lesões maiores. Nos recém nascidos e crianças maiores, a con­duta é também conservadora ou cirúrgica. Insuficiência cardíaca deve ser tra­tada quando presente. Uso de corticóides e radioterapia, assim como remis­são espontânea das lesões são referidas por alguns autores.


Hemangioendoteliomas


Os hemangioendoteliomas, juntamente com os hemangiomas, consti­tuem os tumores benignos do fígado que mais freqüentemente acometem o grupo pediátrico. Ocorrem igualmente em ambos os sexos, e na maioria (90 %) o diagnostico é feito até os 6 meses de idade. Os hemangioendoteliomas são difusos, multicêntricos, e ocasionalmente podem ser únicos. Ao exame físico, palpa-se massa abdominal, que pode manifestar-se clinicamente com insufici­ência cardíaca de alto débito, causa freqüente de óbito nesses doentes. O tra­tamento inicial, deve ser direcionado para a compensação hemodinâmica. O manuseio desses paciente é controverso, dependendo da sintomatologia e volume das lesões. Além disso alguns autores acreditam em casos de remis­são espontânea dessa lesão. Os hemangioendoteliomas podem ser tratados de forma conservadora, com corticóides e radioterapia, ou com ressecção ci­rugica e mesmo através de embolizações.


Fonte: Manual de Diagnóstico e Tratamento das Doenças Hepáticas – no paciente adulto e pediátrico, síntese do texto do Dr. Giovanni G. Cerri, Dra. Ana Suely C. Nascimento-Zan e Dr. Márcio M. Machado

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